Displasia

 

Displasia Coxo-Femoral (DCF)

A Displasia Coxo-Femoral (DCF), é uma doença caracterizada pela mal formação entre a cabeça do fêmur e o acetábulo (bacia). Vários componentes articulares estão envolvidos como: ossos, cápsula articular, ligamentos, tendões, cartilagem, etc. O primeiro relato em cães foi feito por Schnelle, em 1935. É uma patologia diagnosticada em várias espécies, não se restringindo somente aos cães. Todas as raças podem ter displasia porém, nas de médio e grande portes a freqüência é maior.

1 - Etiologia (Causas)

1.1 - Problema de origem genética:
A displasia caracteriza-se por ser poligênica e multifatorial (vários fatores de meio podem influenciar na sua manifestação). A incidência é menor para pais normais sendo que filhotes, filhos de pais normais, têm menos chance de manifestar o problema. Se forem também netos, bisnetos, etc. de cães normais, a chance de ser normal aumenta ainda mais. Não há relação com o peso do filhote ao nascer e nem com o número de filhotes paridos. A freqüência é igual nos machos e fêmeas, sem distinção.

1.2 - Alterações Hormonais:
Estrógeno
- O aumento dos níveis de estrógeno na cadela prenhe pode agir na placa de crescimento ósseo do filhote e/ou promover uma instabilidade articular desencadeando a displasia coxofemoral.
Relaxina - Este hormônio produzido durante o parto, é eliminado na sua forma ativa, no leite materno. Dessa maneira, causa instabilidade na articulação do filhote.
Outros hormônios envolvidos: insulina e hormônio do crescimento.

1.3 - Super Alimentação:
A alimentação do cão deve ser muito bem balanceada, e isso nós encontramos nas rações de boa qualidade. O criador, ou dono do cão, na ânsia de ver seu animal desenvolver-se rapidamente, excede na quantidade fornecida ou muitas vezes acrescenta mais algum nutriente à dieta, ultrapassando assim aos níveis ideais de proteína, energia, cálcio e fósforo. Como conseqüência há um crescimento não harmônico do animal, envolvendo as estruturas musculoesqueléticas nas quais encontram-se as articulações. Isso pode desencadear patologias como displasia coxo-femoral, endosteose (crescimento de osso para dentro da cavidade medular), coxa valga, síndrome do cão cambaleante, osteocondrose e osteodistrofia hipertrófica. Deve-se ter o cuidado de não cometer esse tipo de erro pois, o que importa é a qualidade e o equilíbrio da dieta e não a quantidade fornecida.

1.4 - Massa Muscular Pélvica:
Quanto menor a massa muscular dessa região, maior tendência à displasia.

1.5 - Alterações Metabólicas (vitamina C):
A vitamina C participa da síntese de colágeno e este por sua vez, é um importante componente em várias estruturas articulares. O cão sintetiza a sua própria vitamina C, ao contrário do homem e dos primatas, que não conseguem sintetizá-la. O que se discute neste caso é se a quantidade produzida é suficiente para as suas necessidades, principalmente na fase de crescimento.

1.6 - Biomecânica da Articulação:
O ângulo de inclinação é variável conforme a raça. Alterações neste ângulo podem resultar em mudanças na biomecânica articular e conseqüente desenvolvimento da DCF.

1.7 - Músculo pectineo:
Tem função de aproximar a perna para dentro e traciona-la para cima. O encurtamento das fibras desse músculo é fator desencadeante da DCF.

1.8 - Síntese protéica:
Em cães displásicos há uma menor síntese protéica na musculatura pélvica resultando em menor volume de massa muscular.

Obs. O fator estabilidade articular é preponderante na preservação do estado de normalidade da articulação. Qualquer modificação nessa condição pode comprometer o bom funcionamento articular, alterar a biomecânica e propiciar o desenvolvimento de patologias, dentre elas a displasia coxofemoral.

2 - Manifestações Clínicas

2.1 - O animal pode nunca manifestar sintomas, mesmo sendo portador de DCF e nem sempre os achados radiológicos coincidem com os achados clínicos do paciente. Como manifestações clínicas, têm:

  • claudicação intermitente, cada vez mais freqüente;
  • dificuldade em levantar e correr;
  • desloca o centro de gravidade para frente, implicando em posterior aumento da massa muscular dos membros anteriores e conseqüente atrofia da musculatura dos membros posteriores;arrasta as unhas traseiras no chão;
  • o dorso do animal fica arqueado quando há dor e o cão aumenta a base para poder se equilibrar;
  • andar "bamboleante".

3 - Aspectos Radiológicos - Deve-se considerar:

a) posição do animal:

posição padrão ou 1 - femores paralelos entre si e em relação à coluna vertebral.
posição 2 - quando há alguma dúvida, usam-se membros flexionados, formando ângulo de 45º em relação à coluna vertebral.

b) uso de anestésicos gerais ou sedativos.

As posições descritas acima são desconfortáveis para o paciente. Deste modo, o uso de sedação é de extrema importância. Em alguns casos, quando o cão não se deixa posicionar até mesmo sob sedação, deve-se usar anestesia geral. Estes animais têm este comportamento, não porque são agressivos mas provavelmente, porque estão sentindo dor ao serem posicionados.

c) observar os aspectos anatômicos.

A radiografia permite identificar alterações estruturais das articulações coxofemorais. Compete ao veterinário o estudo minucioso e diagnóstico da DCF.

Linha Morgan - reforço na parte óssea que, ao Raio-X, confere imagem de linha branca mais nítida no osso. Essa linha mostra alteração na biomecânica da articulação;

Avaliação pelo método de Norberg: ângulo maior ou igual a 105º = normal; ângulo menor que 105º = displasia;

d) idade em que o Raio-X deve ser feito:

  • Americano (OFA): Mínimo de 2 anos de idade;

  • O adotado pela Escola de Veterinária da UFMG é a idade de 12 meses para cães da raça Pastor Alemão e outras raças menores. As demais raças de grande e médio porte, a idade mínima é de 18 meses;

  • Pode-se fazer a chamada radiografia prévia em cães com idade inferior a 12 meses. Neste caso emite-se um laudo provisório.

3.1 - Tratamento:

Conservativo:

  • Analgésico, antiinflamatórios, condroprotetores;

  • Repouso.

Cirúrgico:

  • Osteotomia tripla da bacia;

  • Osteotomia variada intertrocantérica;

  • Prótese total da articulação;

  • Amputação da cabeça do fêmur;

  • Secção do músculo pectineo.

Existem diversas classificações de displasia coxofemoral, de acordo com a gravidade. Abaixo temos um quadro com estas categorias:

Classificações de Displasia Coxofemoral

HD- : animal sem displasia

HD +/- : articulação quase normal

HD + : displasia leve

HD ++: displasia moderada

HD +++: displasia severa

 

Algumas Precauções:
Quando a fêmea tem displasia, ou as chances do filhote ter são grandes, podemos tomar alguns cuidados, para que o quadro não se agrave:

  • Não deixar o filhote em pisos escorregadios;

  • Colocar a fêmea e os filhotes num piso mais áspero, ou em placas de madeira, para que eles não escorreguem;

  • Exercitar o filhote a partir dos 3 meses de idade, mas sem exageros.

A natação é recomendada, pois exercita a musculatura sem forçar a articulação. Evitar que o animal fique muito gordo.

O importante é ter consciência e cuidar dos animais desde pequenos para prevenir problemas como esse. Um animal saudável, que visita o veterinário regularmente, está mais sujeito a ter uma vida longa e sem problemas. Na hora de comprar um filhote, principalmente das raças mais propensas, peça ao proprietário que apresente o certificado de displasia dos pais, para diminuir a chance de adquirir um filhote com este problema. Caso você já tenha um cão em casa, procure seu veterinário para realizar este exame tão simples e evitar que a doença se espalhe.

Probabilidades da doença em Cães da Raça Pastor Alemão

  • Normal X Normal 24%

  • Normal X GI 40%

  • Normal X GI,GII, GIII 53%

  • Normal X Desconhecido 31%

  • Desconhecido X Desconhecido 29%

  • Displásico X Desconhecido 31%

Modelo Efetivo para Eliminação:

  • 1° Passo - Utilizar somente reprodutores de ambos os sexos normais

  • 2° Passo - Com parentes normais

  • 3° Passo - Manter os reprodutores (Machos e fêmeas), que nos testes de progênie obtiveram todos os descendentes normais ou o menor percentual de displasia possível.